quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dia da avó ... 
O que falar da minha?

Minha avó que com sua espingarda à tiracolo, caçava (e abatia, com um tiro só)lagartos e gaviões que vinha roubar ovos e pintinhos novos!
Avó que lidava na terra, plantando milho, soja, verduras, frutas...
Que lavava roupa no rio Moreno, tirava água cristalina do poço pra gente tomar.
Não tinha máquina de lavar roupas, nem liquidificador, nem batedeiras, tampouco microondas.
Mas suas roupas eram limpíssimas, seus bolos maravilhosos, seus pães de milho assados no forno à lenha com sabor inesquecível.
Fazia caramelos, torrava amendoim, assava polenta e fazia frango caipira no fogão à lenha.
Não tinha xampu, nem condicionadores modernos anti frizz, mas seus cabelos eram lindos, repleto de cachinhos sedosos, os quais ela enrolava um à um todas as manhãs.
Seu jardim era lindo, com margaridas, rosas, marias-sem-vergonha, cravos, onze-horas de todas as cores e suspiros crista-de-galo.
Na Páscoa era do seu jardim que tirávamos as "batatinhas" para pintar as casquinhas onde o "coelho" colocava os doces.
No quintal da minha avó, tinha guabiroba, uva, uvaia, pêssego, areticum, laranja, bergamota e tantas outras frutas mais.
No café da tarde, ela nos dava pedaços generosos de queijo e salame(que ela mesmo fazia) e que nunca mais encontrei igual.
Minha avó me levava "pra cidade" na sua charrete, e ela não sabia que esse era o dia mais feliz da minha vida.
Fui uma criança muito doente, com Asma, e outros problemas respiratórios e lembro dela ao lado da minha cama, como se fosse hoje, passando remédios pra eu respirar melhor e pra baixar a febre.
As mãos da minha avó eram macias e quentinhas.
A minha avó era linda.
A minha avó Francisca foi a melhor avó do mundo!
Muitos me chamam de "Velha Francisca", e quando o fazem, não sabem o quanto eu fico feliz em ser comparada à uma das mulheres mais fortes e guerreiras que eu já conheci.
Saudades de você vovó!

Marlise Julião


quarta-feira, 8 de março de 2017

Era uma vez um mundo onde as mulheres sempre se sentiam inferiores aos homens, e então elas lutaram...

Todo dia é dia da Mulher Guerreira <3 span="">



Era uma vez um mundo onde as mulheres sempre se sentiam inferiores aos homens, e então elas lutaram...
Lutou Madre Teresa de Calcutá, com sua doçura, com sua dignidade, com sua majestosa vontade de cuidar dos mais humildes.
Lutou Zilda Arns, pelos fracos e oprimidos, lutou para devolver a vontade de viver , aos que mais necessitavam.
Lutou Maria Bonita, que ao lado de Lampião, revolucionou o cerrado...
Lutou Joana D´arc, contra exércitos inteiros, usando apenas sua espada e suas visões divinas.
Lutou Anita Garibaldi, lutou por amor, com seu amor, lutou por seus ideais.
Lutou princesa Isabel, contra escravagistas a favor da liberdade.
Lutou Lady Daiana contra a opressão majestosa da sociedade britânica .
Lutou Leila Diniz, pelo direito a liberdade de expressão.
Lutaram as Marias e Clarices, todos os dias, madrugando para pegar ônibus e enfrentar quase dez horas de jornada de trabalho.
Lutam as enfermeiras, as garis, as donas de casa, as médicas, as faxineiras, as domésticas, as pedreiras, as professoras, as empresarias, as motoristas de ônibus, as costureiras, as advogadas, as mães ...
Lutaram por um mundo de igualdades, onde elas não precisariam ser submissas, lutaram para terem voz, lutaram para serem ouvidas, lutaram por equiparação salarial, lutaram pelo direito de mandar no próprio corpo, lutaram pelo direito de serem chefes de família, sem uma presença masculina, lutaram pelo direito de poder escolher uma profissão, onde antes somente homens ousavam pisar...
Todas juntas, lutaram pelo fim da violência contra a mulher, lutaram pelo direito de dizer não, sem levar uma surra por isso.
Lutaram pelo direito ao voto, lutaram pelo direito a se candidatar a cargos dominados pelos barbudos, lutaram pelo direito de assumir seus relacionamentos alternativos, lutaram pelo direito a presença onde antes era simplesmente inadmissível .
Algumas se tornaram símbolos desta luta.
Algumas se tornaram até presidentes.
Muitas se desvirtuaram, se perderam no caminho...
Algumas entenderam errado o sentido da palavra liberdade, e acabaram virando reféns.
Reféns da ignorância , reféns da vulgarização dos corpos, reféns do toma-la-da-cá, reféns da vaidade, reféns da sexualidade exacerbada...
Perdemos todas nós mulheres, que levamos anos e anos, pra conquistar alguns direitos, que levamos anos e anos para podermos andar de cabeça erguida e dizer, eiiii, nós estamos aqui, somos capazes, somos seres humanos, temos os mesmos direitos, não estamos aqui apenas para procriar, satisfazer os desejos masculinos, esfolar a barriga no fogão.
Temos capacidade, temos a força de constituir família, temos a força de gerar vidas, temos a força, de continuar levantando a cada rasteira da vida ...
Temos força até para superar o preconceito...
A cobrança que paira sobre mães e esposas é muito grande, sem falar que , quando se vê obrigada a trabalhar fora para ajudar seus companheiros no orçamento, ficam divididas entre o papel de mãe, e o de trabalhadora.
E como fica o lado feminino da mulher, que tem que estar sempre linda ,cheirosa, bem humorada, com disposição e arrumada para seu amor?
O lado afetivo sempre é o mais afetado, nem todos os companheiros são compreensivos e nem todos aceitam dividir tarefas, tanto assumindo um compromisso maior na educação dos filhos , quanto tentando entender o quão difícil é a jornada dupla, ou até tripla, da mulher…
A princesa cresceu, e no lugar de sapatinhos de cristal ela usa sapatos de segurança...

Marlise Julião ®

sábado, 7 de janeiro de 2017

Conto de Fadas existem!

                                                        
                              




Schloss Faber- Castell            



                                                










É noite...
E aqui da janela vendo a neve cair, cobrindo de branco árvores, calçadas, carros e casas me emociono...
Como se eu estivesse flutuando sobre um grande e fofo manto feito  por anjos!
Cada floco que cai, leva junto uma lágrima minha.
Mas não são lágrimas de tristeza, são de alegria e realização.
E como num filme, num túnel do tempo, eu me vejo lá ainda menina, pequena, de pés descalços, sonhadora, olhando pro céu, contando as estrelas e absorvendo sua magia.
E lá, olhando para o brilho das estrelas, eu já sabia onde eu queria chegar.
Eu não sabia como, não sabia a hora, não sabia o ano, mas eu sabia assim como dois mais são quatro, que eu iria chegar.
Pois desde meus 9 anos eu lia fotonovelas italianas, e aqueles livros com nome de mulher, Sabrina, Bianca, Júlia e Super Júlia.
Nas fotonovelas e nos livros, as estórias se passavam em sua maioria na Europa.
Itália, Espanha e Alemanha.
Aprendi a admirar e a sonhar com a Europa desde então!
Lia e relia várias vezes o mesmo romance, para que não me escapasse nenhum detalhe.
Lia escondido, pois se meu pai descobrisse as fotonovelas e romances, era uma surra certa!
Geralmente nestes romances e fotonovelas, os mocinhos eram altos, fortes, nariz aquilino, ombros largos e quadris estreitos(estou rindo só em lembrar)...
Cada obstáculo, cada degrau, cada tombo, cada não, cada porta fechada, cada pedra jogada, cada partícula, tudo conspirava para me trazer até aqui...
Nesta rua branquinha, neste cenário sonhado aqui na Alemanha!
E meu príncipe?? 
Ele é alto, tem o nariz aquilino, o quadril estreito, a barba áspera, os olhos cor de trigo...
Ele não tem cavalo, ele ronca e tem uma barriguinha...
Mas ele cozinha, abre a porta pra mim, serve primeiro o meu prato, lava a louça, compra minha sobremesa favorita... e está aqui ao meu lado vendo os flocos de neve caírem!


Sexo é bom....Sexo com amor ,melhor ainda .....

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